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Eventos e Comunidade

Workshop de identidade digital em Cabo Verde: o que se discutiu no TECHPARK CV

A 2 de novembro, a L.ID levou o seu formato à Praia pela primeira vez. Um resumo das sessões, dos números que marcaram a tarde e do que fica para a LisbonID 2027.

Workshop de identidade digital em Cabo Verde · 2 de novembro de 2026 · TECHPARK CV, Praia

A 2 de novembro de 2026, a L.ID Conference & Digital ID Hub saiu de Lisboa pela primeira vez para um workshop de identidade digital em Cabo Verde, no TECHPARK CV, na Praia. O título oficial foi Workshop Cabo Verde: Digital Identity & eID. Durante quatro horas e meia, instituições públicas, banca, empresas de tecnologia e consultores discutiram a identidade que o país já construiu e o que falta para a transformar em serviços.

Antes do workshop, publicámos uma antevisão com o programa e o papel de cada patrocinador. Este resumo do workshop de identidade digital em Cabo Verde conta o que aconteceu na sala: o que se disse em cada sessão, os números que mais se ouviram e as questões que seguem para a LisbonID 2027, a 25 e 26 de maio em Lisboa.

800 Mde pessoas sem prova de identidade no mundo
5 minentre tentativas de deepfake, num só fornecedor
25,6 M USDperdidos numa única videochamada falsa

O workshop de identidade digital em Cabo Verde num relance

Público no workshop de identidade digital em Cabo Verde, no TECHPARK CV, na Praia
Sala cheia no TECHPARK CV, na Praia, a 2 de novembro de 2026.
Data
Segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Hora
14:00 às 18:30
Local
TECHPARK CV, Parque Tecnológico Arquipélago Digital de Cabo Verde, Praia
Organização
L.ID Conference & Digital ID Hub, com a Kindness Blossom
Patrocinadores
DevTrust Consulting, LIZAR Systems, Caixa Mágica Software
Formato
Sessões, painel, debate com o público, demonstrações e reuniões B2B

Identidade digital e identidade eletrónica não são a mesma coisa

A parte técnica do workshop de identidade digital em Cabo Verde abriu com o IMIJ, o Instituto da Modernização da Justiça, sobre a identidade segura em Cabo Verde: a infraestrutura que existe e os desafios da sua evolução.

A sessão começou por separar dois conceitos que muitas vezes se confundem. A identidade digital é o conjunto de atributos que representam uma pessoa num ambiente digital: dados, credenciais e o contexto em que são usados. A identidade eletrónica (eID) é uma identidade garantida por uma entidade fiável, representada em documentos, certificados ou aplicações.

A diferença parece académica, mas tem consequências práticas. Uma conta de email ou um perfil numa rede social fazem parte da identidade digital de alguém. Não servem para abrir uma conta bancária nem para pedir uma certidão. Para isso, o serviço precisa de saber que um registo fiável está por trás da pessoa. Esse registo é o que a eID transporta.

Sobre a eID assentam três funções:

  • Identificação. Dizer quem se é, com base num registo fiável.
  • Autenticação. Provar eletronicamente que se é quem se diz.
  • Assinatura eletrónica. Assinar documentos e transações com valor probatório.

Cada função depende da anterior. Uma assinatura eletrónica só tem valor se a autenticação for robusta. A autenticação só é robusta se a identificação inicial tiver sido bem feita. É por isso que a qualidade do registo de base, a cargo do Estado, condiciona todos os serviços que vêm depois.

Da autenticação ao serviço completo

A DevTrust Consulting levou a conversa da infraestrutura para os serviços. A pergunta de fundo: o que muda para o cidadão quando a identidade digital funciona de ponta a ponta?

Na administração pública, a resposta foi um percurso em cinco passos:

  1. Autenticar. Com a Chave Móvel Digital de Cabo Verde, o serviço já sabe quem é o cidadão.
  2. Dados pré-preenchidos. O que o Estado já sabe não volta a ser pedido.
  3. Informação obtida na fonte. Por interoperabilidade, com base legal e técnica.
  4. Pagar ou assinar, se necessário. Taxa e assinatura dentro do mesmo processo.
  5. Receber o resultado. Digitalmente, sem voltar a deslocar-se.

A sessão desenhou também a cadeia que sustenta esse percurso. Começa na identidade. Passa pelos dados e atributos, que só circulam com interoperabilidade entre serviços. Segue para o ato ou transação, onde entram o processo, a assinatura e o pagamento. Termina no serviço digital completo. Por baixo de tudo estão a privacidade, a rastreabilidade e regras claras sobre quem pode aceder a quê.

Pense num pedido de certidão. Hoje, o cidadão pode ter de juntar documentos que o próprio Estado já tem, pagar num balcão e voltar mais tarde para levantar o papel. No modelo apresentado, o cidadão entra com a Chave Móvel Digital, confirma os dados que já aparecem preenchidos, paga no mesmo ecrã e recebe a certidão digital. A identidade é a mesma nos dois casos. O que muda é tudo o que está à volta dela.

Caixa Mágica: quem está do outro lado?

No workshop de identidade digital em Cabo Verde, José Pedro Rodrigues, CEO da Caixa Mágica Software, apresentou a sessão Digital Identity 2030: tendências globais, standards e novos modelos de confiança. O título do primeiro diapositivo resumia o tema.

Quem está do outro lado? Identidade digital num mundo em que a inteligência artificial simula qualquer pessoa. José Pedro Rodrigues, Caixa Mágica Software

A apresentação apontou duas falhas no caminho até 2030. A primeira afeta quem não tem identidade. A segunda afeta quem a tem.

Falha 1: a ausência

Cerca de 800 milhões de pessoas no mundo não conseguem provar quem são. É uma em cada dez, segundo o Banco Mundial. Há ainda 2,8 mil milhões de pessoas em economias sem uma identidade digital que lhes permita autenticar-se online.

O número tem descido devagar. Os dados do Banco Mundial apontavam para cerca de mil milhões de pessoas sem prova de identidade em 2017. Em 2021 eram 850 milhões. Em 2025, 800 milhões. Sem registo, uma pessoa fica fora do sistema bancário, de muitos apoios sociais e de quase todos os serviços digitais.

2050
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16.9 promete identidade legal para todos até 2030. Ao ritmo dos últimos oito anos, a meta só seria atingida depois de 2050.

Falha 2: a brecha

Onde a identidade existe, a verificação está a ser contornada. Os números vieram de dois relatórios do setor:

  • Uma tentativa de deepfake a cada 5 minutos, detetada por um só fornecedor de verificação em 2024 (Entrust). São 288 por dia e mais de 105 mil por ano.
  • +244% de falsificações digitais de documentos num só ano. Já ultrapassam as falsificações físicas (Entrust).
  • 40,8% dos ataques visam cartões nacionais de identidade, o documento mais atacado (Entrust).
  • +1.151% de ataques por injeção de vídeo sintético em iOS no segundo semestre de 2025, face a 2024 (iProov).

O último número merece explicação. Num ataque por injeção, o vídeo não passa pela câmara. O atacante envia diretamente para a aplicação um vídeo gerado por IA, como se viesse do telemóvel. Uma verificação que só compara a cara com a foto do documento não o deteta. É preciso confirmar também que o sinal vem de uma câmara real e de uma pessoa presente.

O facto de 40,8% dos ataques visarem cartões nacionais de identidade também conta para Cabo Verde. O cartão nacional é a base da identidade digital do país. Quanto mais serviços o aceitarem, mais valor terá para quem o tenta falsificar.

Uma videochamada em Hong Kong

O exemplo mais claro veio de Hong Kong, no início de 2024. Um funcionário da multinacional Arup entrou numa videochamada com o diretor financeiro e vários colegas. Conhecia as caras e as vozes. Todos eram gerados por inteligência artificial. Fez 15 transferências, num total de 25,6 milhões de dólares. A fraude só foi descoberta quando contactou a sede por outro canal.

Não houve aqui documento falso nem senha roubada. O atacante explorou a confiança numa cara conhecida. A identidade digital do futuro terá de responder a esse problema: provar que a pessoa do outro lado é quem diz ser, mesmo numa chamada de vídeo.

Emissão segura e a DRACO ao vivo

A LIZAR Systems falou da outra ponta da cadeia: o documento físico, de onde nascem muitas identidades digitais. A apresentação trazia o selo Made in Africa, numa referência à produção de documentos seguros no próprio continente.

Na pausa para café, a demonstração passou do diapositivo para a mesa. Os participantes viram a DRACO, a unidade transportável da LIZAR, a personalizar cartões de demonstração na hora. Os cartões, de um país fictício chamado Dracoland, mostravam a foto e os dados gravados a laser. Ao lado, experimentaram a L.ID Demo Credential, preparada com a DevTrust. A antevisão descreve a DRACO em detalhe.

Banca, ecossistema e o painel

O programa incluiu o Banco de Cabo Verde, sobre identidade digital, confiança e inovação no sistema financeiro. Para a banca, uma identidade digital fiável reduz o custo de abrir contas e de cumprir as regras de prevenção do branqueamento. Também abre a porta a clientes que hoje ficam de fora.

O Eng. Hélio Varela trouxe a perspetiva do ecossistema: o que é preciso para que as soluções de identidade sejam criadas e mantidas no país, e para que Cabo Verde possa exportar esse saber para a região.

O painel que fechou o workshop de identidade digital em Cabo Verde, moderado pelo Eng.º Carlos Pina, partiu de uma pergunta: da credencial ao serviço, onde pode a identidade digital criar valor hoje? Seguiu-se um debate aberto, com várias intervenções do público. A tarde terminou com cocktail, networking e reuniões B2B.

O que o workshop de identidade digital em Cabo Verde deixa para a LisbonID 2027

Cinco ideias atravessaram o workshop de identidade digital em Cabo Verde. Todas vão estar em cima da mesa em Lisboa.

  • Emissão e aceitação planeadas em conjunto. Um documento seguro vale pouco se os serviços não o souberem ler. Um serviço digital vale pouco se o documento por trás for fraco. Os programas param quando as duas pontas são pensadas em separado.
  • A fraude com IA já chegou aos documentos de identidade. Verificar o documento não chega. É preciso confirmar que há uma pessoa real do outro lado e que o vídeo vem de uma câmara verdadeira.
  • O serviço completo é o que o cidadão sente. A autenticação é invisível quando funciona. O que fica na memória é não ter de voltar ao balcão.
  • A interoperabilidade conta para a diáspora. Muitos cabo-verdianos vivem em Portugal e noutros países europeus. Uma credencial emitida num país tem de ser aceite noutro. A Carteira Europeia de Identidade Digital torna esta questão mais urgente.
  • A inclusão continua por resolver. Com 800 milhões de pessoas sem prova de identidade, a tecnologia mais avançada não serve quem nunca foi registado. O registo civil continua a ser o primeiro passo.

A ligação a Cabo Verde não começou com este workshop de identidade digital. O NOSi esteve na primeira LisbonID, em maio de 2026. A segunda edição, a 25 e 26 de maio de 2027 na Fundação Oriente, vai retomar estes temas com governos, bancos e fornecedores de tecnologia dos dois lados do Atlântico.

Quem quiser falar ou patrocinar em Lisboa pode deixar o contacto no formulário de interesse.

Perguntas Frequentes

Quando e onde decorreu o workshop de identidade digital em Cabo Verde?

A 2 de novembro de 2026, das 14:00 às 18:30, no TECHPARK CV, na Praia.

Quem organizou o workshop de identidade digital em Cabo Verde?

A L.ID Conference & Digital ID Hub, com a Kindness Blossom. Os patrocinadores foram a DevTrust Consulting, a LIZAR Systems e a Caixa Mágica Software.

Que temas foram discutidos no workshop de identidade digital em Cabo Verde?

Identidade digital e eletrónica em Cabo Verde, serviços públicos digitais de ponta a ponta, tendências até 2030, fraude com deepfakes, emissão segura de documentos e identidade no sistema financeiro.

Qual é a diferença entre identidade digital e identidade eletrónica?

A identidade digital é o conjunto de atributos que representam uma pessoa online. A identidade eletrónica (eID) é uma identidade garantida por uma entidade fiável, como o Estado, e serve para identificar, autenticar e assinar.

O que é um ataque por injeção?

É um ataque em que um vídeo gerado por IA é enviado diretamente para a aplicação de verificação, sem passar pela câmara. Engana sistemas que só comparam a cara com a foto do documento.

Quando é a próxima LisbonID?

A 25 e 26 de maio de 2027, na Fundação Oriente, em Lisboa.

Fontes
  1. Banco Mundial, ID4D Global Dataset 2025. id4d.worldbank.org
  2. Entrust, Deepfake attacks strike every five minutes amid 244% surge in digital document forgeries (2025 Identity Fraud Report). entrust.com
  3. Biometric Update, Biometric injection attack surge spreads to iOS: iProov report, abril de 2026. biometricupdate.com
  4. South China Morning Post, Arup confirmada como vítima da burla com deepfake de 200 milhões de HKD, maio de 2024. scmp.com
  5. NOSi, Chave Móvel Digital de Cabo Verde. nosi.cv
  6. L.ID Conference & Digital ID Hub, programa oficial do workshop, outubro de 2026. lid-event.com
Até 2027

A conversa continua em Lisboa, a 25 e 26 de maio

Segunda edição da LisbonID Conference, na Fundação Oriente. Os passes já estão à venda.

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